:: News - AGOSTO 2008

20/08/08

Aymará terá 100% da produção nas novas regras ortográficas em 2009
Planejamento inclui oficinas internas de treinamento e distribuição de cartilha para professores sobre as novidades da Língua Portuguesa

“O voo do pássaro inspira o autor, ao trazer uma ideia de paz e tranquilidade”. O leitor terá de se acostumar à estranha sensação inicial ao ler a frase anterior. O ímpeto de acentuar as palavras vôo e idéia e colocar trema em tranqüilidade terá de ser contido devido às novas normas do acordo ortográfico da Língua Portuguesa. E, muito antes dos leitores, os profissionais das editoras já estão em um grande esforço para escrever desta forma. Em Curitiba, a Aymará Edições e Tecnologia inicia o ano que vem com 100% de sua produção devidamente adequada. Isso significa mais de cem títulos de obras didáticas e de literatura, direcionadas a alunos do Ensino Básico ao Superior, Alfabetização de Jovens e Adultos e programas governamentais. Para isso, uma cartilha com o resumo das novas regras está em produção para auxiliar os profissionais da Aymará.
“De acordo com a lei, as novas regras serão exigidas a partir de 2011, dando às editoras um prazo de dois anos para adaptação. Optamos por lançar nossas obras já adaptadas a partir do ano que vem para que os alunos já possam ir se familiarizando com as mudanças”, explica o diretor-geral da Editora Aymará, Áureo Gomes Monteiro Júnior.
Cartilha
Para que isso aconteça, o treinamento é intenso. Não apenas dos autores e editores, mas, especialmente, dos revisores, a quem cabe a parte mais árdua do trabalho. “Estima-se um aumento de cerca de 20% no tempo dedicado ao trabalho de revisão, pelo menos durante o período inicial de adaptação”, adianta o diretor.
Na Aymará, mais de 75 profissionais (autores, editores, revisores e diagramadores) estão debruçados em pesquisas e planejam uma oficina interna para aprimorar ainda mais o uso das novas regras. Para facilitar o trabalho e o aprendizado da equipe, a editora lançou o projeto de um manual com o resumo das novas regras, que se tornará uma cartilha para guiar os profissionais. Na liderança do trabalho está o professor José Archangelo Sensi, profissional da Língua Portuguesa e da Literatura há mais de 35 anos e especializado em revisão. Ele explica a importância da iniciativa. “Nossa Língua Portuguesa possui cerca de 600 mil verbetes, sem contar as flexões. As mudanças para o novo acordo ortográfico resultaram em um amplo documento, que conseguimos resumir em um manual consistente, porém com menos da metade do número de páginas. Isso vai facilitar e agilizar bastante a adaptação dos profissionais, possibilitando também uma consulta rápida e fácil nos momentos de dúvida”, detalha.
Sensi já estava no mercado de trabalho quando houve a revisão ortográfica de 1971 e traz para o projeto a experiência de quem já viveu um período de adaptação semelhante. “A transição para as novas regras pode durar cerca de três anos e continuar gerando dúvidas, devido à amplitude da Língua Portuguesa. Então, qualquer iniciativa com o objetivo de facilitar a adaptação é muito bem-vinda”, analisa Sensi.
A cartilha está em fase de conclusão e deverá ser estendida também aos professores e educadores parceiros da Editora Aymará. “A idéia é criarmos um formato de workshop para a equipe interna e também aos professores e educadores parceiros da editora”, diz Monteiro Júnior. “Afinal, temos de imaginar que o principal agente neste momento será o educador – e pretendemos atender a demanda que será gerada por esse tipo de formação”, conclui.
Mudanças
O novo acordo ortográfico altera 0,43% dos verbetes brasileiros. Confira as principais alterações:

  • Alfabeto passa a ter 26 letras, incorporando K, W e Y;
  • O trema deixa de existir, permanecendo somente em nomes próprios;
  • Cai o acento agudo em ditongos abertos “ei” e “oi” (como idéia e jibóia), e nas palavras paroxítonas com “i” e “u” tônicos, precedidos de ditongo (como feiúra);
  • Palavras com duplo “o” (como vôo) e conjugação verbal com duplo “e” (como vêem) não levam mais acento circunflexo;
  • O acento deixa de existir para diferenciar palavras como pára (verbo) e para (preposição);
  • O hífen deixa de existir em palavras compostas, em que o segundo elemento começa com “r” ou “s” (como anti-rábico, que passa a ser antirrábico). Mantém-se apenas quando o primeiro elemento terminar também em “r”, como “inter-racial”.

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